Chave Dicotômica Sonora para Identificação de Anuros do Pantanal por Leigos

Postado por: Rose Pinheiro

Projeto de Ciências Biológicas desenvolve material que permite reconhecer sapos, rãs e pererecas pelo canto e auxilia em educação ambiental e turismo

A estudante Beatriz dos Santos Oliveira, de 27 anos, do curso de Ciências Biológicas, apresentou um trabalho que criou uma chave dicotômica sonora para identificar anuros do Pantanal. A proposta é que qualquer pessoa, mesmo sem conhecimento técnico, consiga reconhecer sapos, rãs e pererecas a partir do som que eles emitem.

Ao explicar a ideia, Beatriz, contou que existe uma lacuna na ciência nesse tipo de material. Segundo ela, já existem muitas chaves de identificação para aves e outros grupos de animais, que são facilmente encontradas, mas para anuros o material ainda é mais escasso e pouco acessível para quem não é especialista. Por isso, a ideia foi criar um guia simples e interativo, baseado na bioacústica.

Para desenvolver a chave, a estudante fez um levantamento dos cantos das espécies mais comuns no Pantanal, e organizou as características sonoras de forma que pessoas leigas, pudessem ir eliminando opções até chegar na espécie correta. Para demonstrar, o pôster trouxe QR Codes com áudios para o público ouvir na hora e testar a identificação na prática.

Para testar se o material realmente funcionava, foram feitos experimentos com dois públicos diferentes. De acordo com a estudante, o grupo formado por pessoas leigas acertou 77,8% das identificações, enquanto o grupo de pesquisadores, herpetólogos e pesquisadores de outras áreas acertou 85,2%, o que comprovou a eficácia da chave mesmo para quem não tem experiência.

Os resultados indicam que a chave pode ser usada como um material prático para ações de educação ambiental em escolas e para o turismo local no Pantanal, ajudando visitantes e guias a reconhecerem as espécies apenas pelo canto e despertando mais interesse pela conservação dos anuros.

Beatriz também destacou que, o trabalho mostra como um método simples, de baixo custo, pode integrar o conhecimento científico às comunidades locais. Segundo ela, a mesma proposta da chave sonora pode ser adaptada no futuro para a identificação de outros grupos de animais, ampliando o alcance da ferramenta.

Texto e foto: Repórter Júnior Luiz Henrique