Isolamento social e a violência doméstica contra mulheres

Postado por: GABRIEL NERI GONÇALVES DE MATOS

Com o advento da pandemia pela COVID-19 uma série de vulnerabilidades sociais, além da saúde, se intensificaram como a violência doméstica contra mulheres. A pesquisa de Amanda da Silva Duarte sob orientação da Profª. Dra. Elaine de Moraes Santos expõe as relações de poder sob a ótica da violência doméstica contra mulheres na pandemia da COVID-19.

Pautada nos estudos foucaultianos e seus efeitos na história, para o filósofo francês, os efeitos do poder se constatam no discurso da verdade quando este é capaz de justificar uma ação. Segundo ele “O corpo é uma topia que origina utopias, isso porque ele pode ser arrancado de seu espaço próprio e projetado em um espaço outro”; tal afirmação evidencia a própria violência doméstica, já que ao paralelo foucaultiano, o ser humano não é só sujeito, mas também objeto do poder social.

O corpo marcado e a postura das mulheres permanecem longe de outros olhares com a realidade da pandeia da COVID-19 (Divulgação/Não Se Cale)

A crítica ao corpo da mulher é historicamente uma produção do poder e é retomada pelo exemplo dado por Amanda da Silva Duarte no ditado: “Em briga de marido mulher não se mete a colher”. A mulher precisa relatar uma condição que não existe mais em um corpo transformado pela violação, delimitando um confronto entre o sujeito feminino pelas teias discutidas e não discutidas ao “novo normal”.

Abre-se assim, uma nova instância da violência contra a mulher, seja pelas privações sociais do momento, ou pelo controle do agressor. Com isso, avanços em medidas para a violência contra mulher devem ser adequados ao momento de pandemia que vivemos, considerando o estímulo de discursos as várias esferas sociais e as relações de poder que definem regras de relacionamento na estrutura social.

Texto: Mariana Azevedo – Repórter Júnior

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