Aperfeiçoamento da aerodinâmica de foguetes de garrafa pet e das bases de lançamento
Projeto é apresentado por alunos do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul e busca competir em campeonato nacional
Com base de lançamento usinada em alumínio e coifas produzidas em impressora 3D, equipe de Campo Grande aumenta em 78 metros o alcance de foguetes da OBFOG e mira vaga na Jornada de Foguetes, no Rio de Janeiro.
O que começa com 1 litro de vinagre, 150 gramas de bicarbonato de sódio e uma garrafa PET pode resultar em um lançamento a 300 metros de distância. É o que demonstram os estudantes Gustavo Dias Rocha, Murilo Ferreira Araujo, Samuel Meneses Moreira e Dante Alighieri Alves de Mello, do IFMS, Campus Campo Grande.
Eles são os autores do projeto FET.EXA-003 — Aperfeiçoamento da Aerodinâmica de Foguetes de Garrafa PET e Bases de Lançamento —, apresentado no estande 067. A pesquisa busca melhorar o desempenho dos foguetes e ampliar a distância alcançada nas competições da Olimpíada Brasileira de Foguetes (OBFOG), com a aplicação de conhecimentos científicos e tecnológicos.
No Nível 4, destinado ao ensino médio, o regulamento exige um alcance de 100 metros para a classificação à etapa nacional. Entretanto, a disputa interna no IFMS ficou tão acirrada que, atualmente, os estudantes precisam superar os 300 metros para conquistar uma vaga na Jornada de Foguetes, realizada em Barra do Piraí (RJ).
Para alcançar essa marca, a equipe dedicou dez meses à realização de testes, à identificação de falhas e ao aperfeiçoamento dos equipamentos. O trabalho envolveu conhecimentos de engenharia, aerodinâmica e química, além do uso de programas de computador para simular o comportamento dos foguetes e orientar as alterações nos protótipos.
Um dos primeiros desafios foi o vazamento na base de lançamento, que prejudicava o funcionamento do equipamento. Para solucionar o problema, os estudantes utilizaram o software Solid Edge para projetar uma peça de alumínio com canais para anéis de vedação do tipo O-ring e um cano chanfrado. A peça foi instalada em uma base de madeira envernizada, equipada com manômetros.
Segundo a equipe, a nova estrutura ajudou a eliminar vazamentos e permitiu maior controle da pressão durante os testes. A melhoria também contribuiu para tornar o sistema de lançamento mais estável, possibilitando acompanhar os resultados com maior precisão e identificar problemas que poderiam comprometer o desempenho dos foguetes.
Outro desafio estava relacionado à aerodinâmica. Para reduzir as oscilações durante o voo, os estudantes utilizaram o software OpenRocket para analisar os modelos e alterar o formato dos foguetes. Entre as mudanças, destacam-se as coifas, produzidas em PLA por meio de impressão 3D, e as aletas, confeccionadas em poliestireno (PS) de 1 milímetro.
A equipe também investigou a influência da temperatura do vinagre na reação química com o bicarbonato de sódio. Nos testes, o vinagre foi aquecido a temperaturas entre 40 °C e 45 °C antes dos lançamentos. Os registros indicaram aumento da pressão interna, que passou de aproximadamente 80 psi para valores entre 135 e 200 psi, o que exigiu atenção especial às condições de segurança.
Os resultados demonstram uma evolução no alcance dos foguetes. Em 19 lançamentos registrados, os modelos com garrafas de 1,5 litro passaram de 232 metros para 310 metros. O avanço representa um aumento de 78 metros e supera a marca de 300 metros mencionada pela equipe como referência para a disputa por uma vaga na competição nacional.
No estande 067, um gráfico apresenta a evolução dos resultados entre 2025 e 2026. Fotografias dos lançamentos realizados em Barra do Piraí também integram a exposição, mostrando a participação dos estudantes em atividades competitivas e a aplicação prática dos conhecimentos desenvolvidos durante a pesquisa.
Durante o desenvolvimento do projeto, a equipe enfrentou dificuldades para encontrar garrafas PET retornáveis de 1,5 litro. Como alternativa, os estudantes adaptaram garrafas de 2 litros. A mudança, porém, alterou características do foguete e trouxe novos desafios para manter a estabilidade durante o voo.
Essa dificuldade passou a orientar uma nova etapa da pesquisa. Os estudantes pretendem aperfeiçoar os modelos adaptados, estudar as proporções dos reagentes e avaliar as condições de funcionamento do sistema, priorizando a segurança e a padronização dos experimentos.
Texto e foto: Repórter Júnior Maicon de Souza

